sexta-feira, 26 de abril de 2013

Futebol moderno

     Não tive tempo disponível para mostrar minha indignação deste dito futebol moderno, futebol arte, que tudo é baseado em toques fenomenais e que fazem disso um marketing ridículo para promover alguns jogadores para, posteriormente, serem garotos-propaganda de marcas milionárias, apenas para isso.
     Os jogos desta semana foram reflexos que futebol arte é um cavalo paraguaio, que não vive só de publicidade, mas todo o brilho e ostentação da indústria cultural. Os denominados grandes times da Espanha foram meramente espezinhando por dois grandes clubes em ascensão da Alemanha. Na terça-feira, o Barcelona sentiu a falta de Messi e não conseguiu criar lances objetivos, que acabou levando uma camaçada de gols dentro da Allianz Arena - 4 x 0 e um banho de técnica de Robben, Ribery e companhia (i)limitada. No dia seguinte, outra "zebra": o Real Madrid foi na esperança de ganhar do até então surpreendente Borussia Dortmund, que acabou crescendo nas fases de mata-a-mata e, diferentemente de Messi, que estava indo no sacrifício, a mídia apostou todas suas fichas no goleador e estrela da equipe merengue, Cristiano Ronaldo. Resultado? Um tal de Lewandoski, que fez nada mais e nada mais que quatro gols contra a equipe espanhola. Isso só mostra a quebra de um salto alto de quase uma década das equipes espanholas, que, assim como os clubes italianos, irão se encontrar num descenso sem fim e perder seu brilho no mercado mundial para outros países, como Alemanha, França e Inglaterra.
     Ainda na quarta-feira, o Brasil empatou contra o Chile por 2 x 2, com uma partida
de destaque do até incumbido no Grêmio, Vargas, que fez um belo gol de fora da área. Sei das limitações deste Brasil, que só pôde colocar jogadores nacionais para o duelo sul-americano, mas e o comando técnico? Jogadores inexpressivos como Neymar e Ronaldinho não fazem absolutamente nada dentro de campo por culpa de uma herença chamada Família Felipão. O Ronaldinho, em 2002, por exemplo, foi como aposta, não como promessa e fez uma Copa surpreendente. Em 2006, como realidade, amargou a decepção com títulos empilhados de melhor do mundo durante três anos. Diferentemente de Ronaldinho há onze anos atrás, Neymar já é considerado pela mídia fédida e cretina como realidade, e também para o mesmo Felipão, que foi o campeão do penta. Analiso que o Neymar tem o renome que tem porque vivemos num país alienado no perfil e na repercussão hipodérmica dos fatos, repercutindo que ele postou fotos no Facebook, que ele foi em tal noite e deixando de lado o que realmente interessa: seu rendimento dentro de campo, principalmente para representar nossa pátria. Neymar tem de ser menos mimado pela mídia e ficar no pau-de-arara, pois só passam a mão na cabeça aliciando o superego dele com esse tipo de coisa, o que está prejudicando um jovem para sua vida profissional. Neymar, hoje, nada mais é que um projétil de Robinho, que vira ídolo majestral na Vila Belmiro e vai para Europa, é ofuscado pela mídia e acaba tomando tapa na cara. Mas o Neymar não é o que é dentro da seleção, porque o Felipão tem um pensamento anos-luz do futebol moderno. Felipão foi campeão de uma seleção que tinha um futebol contemporâneo e bonito, com Ronaldo mostrando uma extraordinária superação, saindo da cama de hospital para ser o artilheiro da Copa do penta. Hoje, se depara com a realidade de convocar os jogadores que estão em maior evidência na mídia pelos seus milionários clubes, mesmo duvidando deles ou de sua capacidade técnica. Eu já havia me manifestado, à época, dizendo que ele era um técnico retrógado, à moda antiga, caturra de se deparar com tanta faceirice futebolística, o que prejudica o nosso futebol. Assim como Perreira largou essa cachaça, até mesmo Telê, que foi um dos melhores técnicos nos últimos tempos, teria muitos problemas ao tentar resolver os problemas do novo futebol, assim como Zagalo, caso assumisse qualquer função a frente da seleção novamente.
     Em suma, o futebol moderno é diferente do futebol contemporêo, pois quando definíamos como este falamos de futebol à altura de jogadores promissores, não como colocar a publicidade acima da qualidade técnica de um jogador. Os antigos técnicos não conseguem se acertar atualmente porque sua filosofia não condiz com seu tempo, tentando fazer render jogadores
 que exala marketing e divulgação pública. Fim ao futebol moderno desde já, pois chegamos ao ponto que não temos mais o que falar sobre futebol e os assuntos deste esportes são confundidos com a coluna social da Caras.

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